sábado, 28 de dezembro de 2024

 MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA - Breve Análise.


Análise do artigo ABORDAGENS TEÓRICAS NO ESTUDO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA - Maria da Glória Gohn

O artigo “Abordagens Teóricas no Estudo dos Movimentos Sociais na América Latina”, de Maria da Glória Gohn, é uma análise do associativismo civil na América Latina e das bases teóricas que sustentam os estudos sobre os movimentos sociais em um dos contextos mais complexos do mundo: a América Latina. A autora, renomada socióloga e referência no campo, aborda as principais correntes teóricas, dialogando com a história política e social da região, marcada por desigualdades estruturais e resistência contínua, começando pelo reconhecimento da especificidade histórica dos movimentos sociais latino-americanos. Ao contrário de outras regiões, esses movimentos emergem em um contexto de colonialismo tardio, regimes autoritários e profundas desigualdades sociais, o que os diferencia substancialmente de movimentos em países desenvolvidos.

 

A autora organiza sua análise em torno de três frentes de ações:

          1.       Movimentos identitários de segmentos sociais excluídos que lutam por direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. Exemplos: lutas das mulheres, dos afrodescendentes, dos índios, dos grupos geracionais (jovens, idosos), grupos portadores de necessidades especiais, grupos de imigrantes;

          2.       Movimentos de luta por melhores condições de vida e de trabalho que lutam por melhores condições de moradia e emprego, como também saúde, educação, transporte, lazer...;

          3.       Movimentos globais que atuam em rede e são atualmente responsáveis pela articulação e globalização de muitos movimentos sociais.

A autora traz exemplos de grandes movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Brasil), a Via Campesina e diversos outros movimentos ambientalistas, étnicos, educacionais e culturais que atuam na reivindicação e fiscalização das políticas públicas na América Latina. No entanto, o texto demonstra atualmente, após a globalização, que os movimentos sociais ampliaram suas lutas por reconhecimento, identitários e culturais, além das lutas já conhecidas de demandas socioeconômicas, diversificando as abordagens. Daí surgem as teorias separadas da seguinte forma:

1.     Teorias construídas a partir de eixos culturais: construção identitária, criando vínculos a partir de um processo reflexivo para um agir coletivo;

2.     Teorias focadas no eixo da justiça social: busca fazer justiça a fim de compensar injustiças históricas;

3.     Teorias que destacam a capacidade de resistência dos movimentos sociais, de lutas em busca da construção de um novo mundo: busca autonomia, não focadas no mercado;

4.     Teorias que canalizam todas as atenções para os processos de institucionalização das ações coletivas: baseia-se nas teorias da privação social.

Gohn enfatiza a importância de conceitos como cidadania, participação política e a luta dos movimentos sociais latino-americanos que vão além da resistência contra a opressão, buscando criar novas formas de participação e reorganização do espaço público e cita que a identidade política dos movimentos sociais é variável em contextos e conjunturas e muda com as aprendizagens e com as leituras de mundo dos sujeitos envolvidos.

Dentre os diversos teóricos que definem “rede”, a chegada das redes sociais é citada no texto como um marco, não existindo mais o limite territorial para a articulação dos movimentos e se intensificando com a criação de fóruns e grupos organizados em redes.

Tentando explicar o novo cenário de associativismo civil latino, mais especificamente no Brasil, o artigo demonstra um cenário diversificado e amplo, mas que atualmente percebe-se uma veia conservadora, bem distante do que os movimentos sociais de décadas passadas lutavam e reforça que os movimentos sociais latino-americanos transcendem demandas materiais, articulando questões culturais e identitárias em busca de uma sociedade mais inclusiva e democrática.

 

Fonte: https://altamiroborges.blogspot.com/2012/04/os-movimentos-sociais-na-america-latina.html

Nesse aspecto de mudança e lutas dos movimentos sociais, trago uma frase do jornalista e militante social Raúl Zibechi dita em uma entrevista (Diálogos: Resistência em Movimentos Sociais na América Latina UNVTV)

Ele afirma que “O mundo não se muda de cima para baixo”. A base popular precisa seguir em luta com o apoio dos governantes, com políticas públicas, para que haja de fato a aplicabilidade das teorias nas vidas dos sujeitos, tendo como efeito uma sociedade mais justa e igualitária. Pensando em educação popular, Raul traz um aspecto bem importante sobre como os estudiosos utilizam do saber periféricos e não é devolvido para essa população e dessa forma não há um vínculo necessário desses dois grupos, reproduzindo uma relação hierárquica colonial e deixando a comunidade distante dos ensinamentos da universidade. Vale a pena assistir o vídeo acima e aprender um pouco mais sobre como essas mudanças atuais têm modificado a ideia de movimento social e como os militantes e estudiosos precisam se reformular e interagir para se criar uma luta coletiva, resistente aos malefícios capitalistas, em defesa de uma sociedade mais justa para todos.

 

Referências

GOHN, Maria da Glória. Abordagens Teóricas no Estudo dos Movimentos Sociais na América Latina. Caderno CRH, Salvador, v. 21, n. 54, p. 439-455, Set./Dez. 2008.

UNBTV, Diálogos: Resistência em Movimentos Sociais na América Latina. Youtube, 10 de nov. de 2017. 21min58s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kcCibWQmu_o. Acesso em: 23/12/2024.

 Reflexões sobre a Trajetória da Educação Popular no Brasil

 

O artigo “Reflexões sobre a trajetória da Educação Popular no Brasil”, escrito por Martha Valente Domingues dos Santos, Marcela Francis Costa Lima e Fernando César Ferreira Gouvêa, oferece uma análise sobre o desenvolvimento da Educação Popular no Brasil. Os autores traçam uma linha histórica que permite compreender a evolução desse campo, explorando suas bases teóricas, influências ideológicas e impactos sociais.

O texto apresenta a Educação Popular como um movimento pedagógico e social comprometido com a transformação da sociedade e com a emancipação das classes populares, com participação popular, em uma construção coletiva de um projeto político social mais justo e mais humano. Desde os primórdios, marcados pelas ações de alfabetização e conscientização nos anos 1960, sob a influência de Paulo Freire, até os desafios contemporâneos, os autores destacam como essa abordagem educacional se articula com lutas sociais e políticas. Os autores citam a diferença entre a educação popular e a educação do povo, que, segundo o artigo, dedica-se a trazer às classes populares ensinamentos que os deixarão cada vez mais submissos na condição de trabalhadores em dominação.

Tendo como referência Brandão (2002), o artigo traz quatro concepções da educação popular no Brasil: 1ª - conjunto de práticas não científicas, 2ª - ligada à importância da cultura na educação popular, 3ª - experiências alfabetizadoras populares direcionadas aos jovens das classes trabalhadoras e 4ª – prática diversamente participante.

Os autores oferecem um panorama cronológico tendo a educação popular iniciado com a industrialização, a fim de alfabetizar em massa a população, conectando a Educação Popular às dinâmicas políticas, sociais e econômicas do Brasil, considerando momentos históricos cruciais, como a Segunda Guerra Mundial em que a educação popular era compreendida como uma extensão da educação formal, a Ditadura Militar (1964-1985), que reprimiu as iniciativas progressistas, e a redemocratização, que abriu espaço para a institucionalização de políticas educacionais inspiradas nos princípios da Educação Popular. Importante destacar que nesse período as ideias do Paulo Freire para uma educação democrática e libertadora, com uma transformação integral dos meios de produção, de poder, de organização sociocultural, respeitando as individualidades, tomavam forma e direcionavam para um novo pensar de educação e cultura para todos, ganhando uma conotação de organização política com a criação de um sujeito-histórico transformador. Toda essa transformação foi reprimida com a ditadura e a educação popular teve um grande retrocesso com a criação do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Com o declínio da ditadura surgem vários movimentos sociais contrários que foram importantíssimos para uma reestruturação política, econômica, social e educacional. Porém, com a globalização tomando forma anos depois, foi redesenhando uma educação tecnicista elaborada para atender os interesses do mercado. Em contrapartida, também nesse período, surgem o fortalecimento de movimentos como o MST que traz uma educação atenta aos reais interesses das classes populares.

O artigo estimula o leitor a refletir sobre o papel da Educação Popular no enfrentamento de questões como desigualdade, exclusão e desmonte de políticas públicas. Encarando a educação como um ato político, como pensamento freiriano, ainda hoje, abordando os dilemas enfrentados, como o avanço de políticas neoliberais e o enfraquecimento de movimentos sociais, percebe-se que a educação popular ainda passa por grandes desafios e os movimentos sociais se fazem necessários para que seja cumprida uma educação para todos, justa e equitativa, com os direitos sociais respeitados – uma educação do povo e para o povo.

 

Referências

SANTOS, M. V. D.; LIMA, M. F. C.; GOUVÊA, F. C. F. Reflexões sobre a trajetória da Educação Popular no Brasil. Revista Ensaios e Pesquisas em Educação e Cultura, v. 3, p. 128-141, 2017.

 

 

Fonte: https://x.com/psol50/status/1388840703531302916


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

 

Acabei de ler esse texto super interessante de Edmilson Borges e realizar a atividade sobre ele, que foi a realização de um mapa mental. 

Essa disciplina tem sido um diferencial em minha forma de pensar e agir na minha profissão de educadora. 


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